Minha vez de chorar
 
   
   

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Naquele final de dezembro de 1989, na oficina do Élio Machado da Silva, ele, o Amílton Borges e o João Guilherme Rosa Flávio de Castro talvez não soubessem, mas estavam colocando no fogo um grande caldeirão, igual aqueles do rancho, onde dentro iriam vir, com o tempo, os ingredientes que dariam novamente vida à saudade...

O choro é como o gelo que derrete dentro da gente e vaza pelos olhos...

No ano de 1963 eu vi alguém chorando porque havia passado pela seleção médica do exército e considerado “apto A”. Teria que servir a pátria e não queria.

Eu também fui considerado “apto A”.

Posso dizer que foi das melhores coisas da minha vida.

Quando o jornalista Olavo Braz Martins do Guimarães Bilac fincou sua pena na defesa do serviço militar obrigatório, talvez nem ele, nem o “filho da viúva” Luiz Alves de Lima e Silva pudessem imaginar que, num futuro, a cor do sangue de muitos brasileiros seria verde oliva. Sangue esse, que hoje, parecem alguns querer contaminar pela malária

Dos símbolos nacionais mais honrados, o nosso exército ultrapassou de longe o "se vis pacem para bellum" pois lá se cultivam muitas flores, raras nos dias atuais, como a educação, a civilidade e sobretudo, dentro da disciplina, a amizade.

Em julho de 1964, foi passada ao cabo Ertl e a mim a última missão: comandar o ônibus que trazia os reservistas em baixa, até São Paulo, mantendo a ordem e a disciplina, pois que todos ainda éramos militares da ativa. A poltrona do ônibus trazia à minha mente mais vultos que o divã de um analista e ao coração o calor da amizade que ficava agasalhada no espírito das divisas, das patentes e nas gandolas de ombreiras e mangas lisas.   

... foi a minha vez de chorar